Qual é a data de fundação da cidade — e qual era, afinal, o seu nome? Esta página reúne o que dizem os registros públicos e administrativos: o histórico municipal do IBGE, o registro da paróquia-mãe (Arquidiocese de Florianópolis), o parecer do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e a historiografia clássica.
O ano da fundação: 1673
Em 2003, a pedido da Prefeitura de Florianópolis, o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (IHGSC) emitiu parecer sobre a data provável da fundação da póvoa de Nossa Senhora do Desterro. Apoiado em fontes de arquivo e em estudos como o de Evaldo Pauli (A Fundação de Florianópolis, 1973), o parecer concluiu que 1673 é o ano mais próximo da realidade para a chegada da expedição povoadora de Francisco Dias Velho [3][4][5]. Como o dia e o mês exatos são desconhecidos, o aniversário da cidade seguiu associado a 23 de março — data ligada à emancipação de 1726 [3][5].
Linha do tempo documentada
- c. 1673 — Francisco Dias Velho estabelece a póvoa na Ilha de Santa Catarina, sob a invocação de Nossa Senhora do Desterro [3][4][5].
- c. 1675 — Dias Velho requer terras e providencia a ereção de uma igreja “em honra a Nossa Senhora do Desterro”, no local da atual Praça XV de Novembro [2].
- 1687 — morte de Dias Velho na própria ilha, em represália de corsários que ele havia enfrentado; a póvoa sobrevive ao fundador [6].
- 5 de março de 1712 — Alvará Régio cria a freguesia de Nossa Senhora do Desterro, formalizando a paróquia [2].
- março de 1726 — Carta de Lei eleva a póvoa à categoria de vila, desmembrada de Laguna, com a denominação oficial de Nossa Senhora do Desterro (o registro do IBGE traz a Carta de Lei de 26/3; a tradição municipal celebra o 23/3) [1][2][3].
- 10 de abril de 1728 — instalação oficial da vila [1].
Desterro ou Nossa Senhora do Desterro?
Nos documentos oficiais — alvará da freguesia, carta de lei da vila, atos administrativos do Império — o nome registrado é sempre o completo: Nossa Senhora do Desterro. “Desterro” era a forma abreviada de uso corrente, presente em mapas, jornais e na fala do povo. Ou seja: a cidade não se chamava apenas “Desterro” — ela carregava, no próprio nome oficial, a invocação da padroeira. É essa dupla memória — jurídica e devocional — que este projeto documenta. Veja também De Vila a Capital: o nome nos documentos.
Fontes
- IBGE. Florianópolis — Histórico e formação administrativa. cidades.ibge.gov.br; e Monografia municipal — Florianópolis. biblioteca.ibge.gov.br
- Arquidiocese de Florianópolis. Histórico da Paróquia Nossa Senhora do Desterro e Santa Catarina. arquifln.org.br
- Câmara Municipal de Florianópolis. Nota sobre o parecer do IHGSC acerca da data de fundação. cmf.sc.gov.br
- PAULI, Evaldo. A Fundação de Florianópolis. Florianópolis, 1973 (2ª ed., Lunardelli, 1987).
- DAMIÃO, Carlos. Memória de Florianópolis: a polêmica sobre o ano de fundação da cidade. ND Mais. ndmais.com.br
- As muitas faces de Francisco Dias Velho. Seminário Catarinense de Ensino de História, UFSC. ojs.sites.ufsc.br
- CABRAL, Oswaldo Rodrigues. Nossa Senhora do Desterro. Florianópolis: Lunardelli, 2 vols.