De Vila a Capital: o nome nos documentos

Da emancipação em 1726 até 1894, todos os atos administrativos registram o mesmo nome: Nossa Senhora do Desterro. Esta página acompanha essa trajetória nos documentos — de vila a capital de província — até a lei que trocou o nome da cidade.

Linha do tempo documentada

  • 1738 — criada a capitania de Santa Catarina, subordinada ao Rio de Janeiro; a vila de Nossa Senhora do Desterro torna-se sua sede, sob o comando do brigadeiro José da Silva Paes, que inicia o sistema de fortalezas da ilha — entre elas, Anhatomirim [4].
  • 20 de março de 1823 — Carta Imperial eleva a vila à categoria de cidade; Desterro consolida-se como capital da província de Santa Catarina [1].
  • Século XIX — os registros administrativos seguem sempre com o nome completo: os distritos de Rio Vermelho (1831), Canasvieiras (1835), Santíssima Trindade (1853) e Saco dos Limões (1892) são criados e anexados, nos termos oficiais, “ao município de Nossa Senhora do Desterro” [1].
  • 1º de outubro de 1894 — a Lei estadual nº 111 determina, conforme o registro histórico do IBGE, que “o município de Nossa Senhora do Desterro passou a denominar-se Florianópolis” — homenagem a Floriano Peixoto, meses após os fuzilamentos de Anhatomirim [1][2][3].

O que os documentos mostram

O nome oficial da cidade, em mais de dois séculos de registros — freguesia (1712), vila (1726), cidade e capital (1823), atos administrativos do Império —, foi sempre Nossa Senhora do Desterro. A forma curta “Desterro” era corrente no uso cotidiano, mas o que a Lei nº 111 de 1894 apagou não foi um simples topônimo: foi um nome devocional que acompanhava a cidade desde a fundação. Para o contexto dessa mudança, veja Anhatomirim e 1894; para a origem do nome, A Fundação da Póvoa.

Fontes

  1. IBGE. Florianópolis — Histórico e formação administrativa. cidades.ibge.gov.br; e Monografia municipal — Florianópolis. biblioteca.ibge.gov.br
  2. Memória Política de Santa Catarina, ALESC. Biografias: Moreira César – Coronel. memoriapolitica.alesc.sc.gov.br
  3. DAMIÃO, Carlos. Memória de Florianópolis: um nome, muitas mágoas. ND Mais. ndmais.com.br
  4. CABRAL, Oswaldo Rodrigues. História de Santa Catarina. 4ª ed. Florianópolis: Lunardelli, 1994; e Nossa Senhora do Desterro. Florianópolis: Lunardelli, 2 vols.